quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DA FOLHA DE PAPEL PARA A REALIDADE


Nas folhas de papel da prova de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) os candidatos e as candidatas que prestaram o exame no final de semana nos dias 25 e 26 de outubro de 2015 foram desafiados e desafiadas a refletir sobre o tema “A persistência da violência contra a mulher” a partir de uma passagem da obra “O Segundo Sexo”, do ano de 1949, da filosofa e escritora Simone de Beauvoir, um dos símbolos do feminismo mundial, atual fato que repercutiu em constantes polêmicas pelas redes sociais e rodas de conversa pelo Brasil. Mas o que era apenas um tema de redação em uma prova nos remete a perceber que a realidade é mais dura e que as mulheres, mesmo com suas importantes lutas históricas, ainda continuam sendo alvo de violência, seja ela de qualquer natureza.

Pessoas que não concordam com o ponto de vista da escritora se escandalizaram ao ter essa temática sendo proposta durante uma prova, isso também despertou o radicalismo de políticos que se manifestaram contrários com a abordagem da redação insistindo que o Ministério da Educação estava tentando doutrinar as pessoas com uma ideologia feminista e que a autora em questão não era uma pessoa que compreendia a biologia do ser humano ao retratar em sua obra que "Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino". Tal fato trouxe à tona em nosso país algo que não é atual, mas que estava “mascarado” na sociedade brasileira: o preconceito à mulher, conhecido por todos e todas como machismo. Mas com isso não tivemos apenas a exposição de preconceito contra a mulher, mas também contra as negras através do preconceito étnico e contra todas as classificações que temos relacionadas a imagem de feminilidade, como transexuais, travestis e gays. Algo que vem sendo um fator histórico que vem se repetindo desde as eras passadas da nossa sociedade, no qual as mulheres serviam apenas como “objeto” sexual para procriação e de afazeres domésticos nos lares de famílias e se fossem tentar a vida fora de casa na maioria das vezes seria através da prostituição de seu corpo.


Nem mesmo as personalidades artísticas estão escapando dessa “onda” de violência que vem assolando o mundo virtual, tendo sua intimidade e sua etnia desrespeitada através de vídeos agressivos, ameaças e imagens espalhadas pelas redes sociais. Nem mesmo a presidente da república, senadoras, deputadas e vereadoras estão de fora de tudo isso, pois tivemos há meses atrás pessoas colocando em seus veículos adesivos com imagem da presidente em postura não conveniente e também deputada federal sendo agredida verbalmente com a fala “Feia desse jeito a senhora não merece nem ser estuprada”, como se alguém merecesse sofrer por esse tipo de violência da imaculação do corpo humano. E no Rio Grande do Sul, especificamente no município de Porto Alegre, durante uma apresentação na feira de livros com temáticas feministas, alternativa à Feira do Livro de Porto Alegre, mulheres foram agredidas por policiais que utilizaram de força desnecessária contra as presentes no evento. As mulheres sempre foram “seres” relacionados ao pecado pelas religiões, de uso sexual pela sociedade e de imagem na política e na cultura da maioria dos povos que temos espalhados pelo mundo.

        Não podemos mais, em pleno século XXI, que continue tendo no nosso planeta uma propagação de cultura na qual a mulher venha a ser ainda uma pessoa que não faz parte da sociedade e que vem a servir apenas como “dona do lar”, a “mamãe do ano”, como se os homens também não tivesse que ter parte na educação dos filhos e das filhas, ou como profissionais que não devam ter os mesmos direitos e deveres no mercado de trabalho que os homens. Pois se é para se voltar o olhar para alguma religião ou cultura percebe-se que independente do gênero, da classificação, denominação e/ou orientação feminina uma pessoa completa a outra e vice-versa.


Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando em bacharel em História
Universidade Luterana do Brasil - campus Canoas

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

FUGIR DA GUERRA PARA ENFRENTAR UMA NOVA GUERRA


A América sempre foi uma terra que sempre acolheu enorme quantidade de imigrantes vindos de muitas partes do mundo, principalmente da Ásia e da Europa no século XIX, com sua maioria se direcionando para a América Central e América do Sul. Teve por volta dos séculos XV e XVI imigrantes que aproveitaram a oportunidade para colonizar e formar novas nações.

Atualmente, em pleno século XXI, o mundo tem presenciado uma enorme movimentação de pessoas fugindo das guerras civis do continente africano se direcionando para a Europa e para a América. Quanto a Europa apenas está tendo um processo histórico, onde em seu processo de evolução do Velho Mundo se utiliza de algumas diretrizes militares e imperiais para retirar pessoas de origem mais humildes para o continente africano e agora essas pessoas retornam necessitando de ajuda. A América tem então o dever de acolher os refugiados já que na América do Norte temos os interesses dos Estados Unidos que impede a ONU de intervir nos países afetados com a guerra para não perderem uma de suas fontes de renda: a venda de armamentos para a continuidade desses atos de combates.

O Brasil, assim como alguns outros países, tem recebido uma grande leva de imigrantes que fogem de seus países em embarcações precárias e correndo risco de vida e problemas de saúde pelo oceano. Cenas chocantes como o de pessoas aparecendo mortas nas praias, “coiotes” deixando crianças em estação de ônibus por que seus pais não tem mais dinheiro para pagar o restante do trajeto e facções criminosas escravizando pessoas com falsas promessas de lhes ajudarem com regularização de documentos e aproximação com sua família. O pior de tudo é que fogem da guerra para ter paz nos países que chegam e acabam tendo que enfrentar outro tipo de guerra: a xenofobia e o racismo.


O mundo está apenas presenciando o que na história se perdeu, o reconhecimento de povos que foram expulsos de suas terras e de guerras religiosas e políticas que são travadas pelos mesmos motivos que se tinha no início das cidades-estados com o império romano e outros impérios que tinham como forma de ter o respeito dos demais o sistema expansionista, são nações querendo expandir sua ideologia pelo mundo e que arrumaram outras formas de se infiltrar em nações alheias para assim ir espalhando seu “respeito” a partir do terror, quando as pessoas pararem de querer a guerra para querer realmente a paz a partir da paz iremos parar de ver as pessoas expulsando e matando pessoas.


Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando em História na Universidade Luterana do Brasil – Campus Canoas

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

REDUÇÃO DE SÃO MIGUEL: CRONOLOGIA E ESCULTURAS


Este artigo busca falar sobre alguns aspectos da Redução de São Miguel começando por uma história cronológica da redução, buscando analisar as esculturas e sua forma de fabricação por exemplo a madeira utilizada. Por ser a mais organizada e importante redução dos sete povos, mesmo não sendo a mais povoada é considerada a mais formosa redução e um dos exemplos mais significativos do barroco missioneiro.
            A redução de São Miguel foi fundada em 1632 pelos jesuítas Cristóbal Mendoza (1590- 1635) e Pablo Benavidez pertencia ao governo de Buenos Aires. Seis anos depois se mudou para a margem do rio Uruguai onde prosperou bastante, até que em 1642 desmoronou devido a um vendaval, esta redução as margem do rio Uruguai deve-se ao Jesuíta Domingos de Torres.
            São Miguel migrou de novo dessa vez para o município de Santo Angel, esta redução deve grande destaque pelo sua capacidade administrativa e pela rigidez das normas em suas instalações, outro fator de destaque seriam as próprias instalações com afirma OLIVEIRA (2004 p. 158):
                                                                                                                 É como se esta igreja representasse mais que um simples templo, muito mais que um local de oração, talvez por isso resistisse tanto. A igreja de San Miguel era um símbolo de fé, poder e grandeza e, como tal, foi edificada para resistir inclusive ao fogo.

            Seguindo o exemplo das demais reduções espanholas na américa, ela se desenvolveu através da divisão do trabalho e da produtividade, inúmeros padres passaram por São Miguel principalmente entre os anos de 1655-1747.                                                                               
      A igreja foi construída em 1747 pelo jesuíta e arquiteto Ribera que ficou 33 anos na redução de São Miguel, coisa bastante incomum, pois era normal várias mudanças para oferecer constantes desafios aos missionários.
Esta não é a que conhecemos hoje. Caiu em ruina em 1708, a igreja que conhecemos hoje, estima-se começou sua construção depois de 1747 com a chegada do arquiteto Gianbattista Primoli que desembarcou no Brasil por volta de 1730.
            Gianbattista Primoli chegou em uma comitiva com mais oito missionários que sairão da Europa. São Miguel foi a mais organizada dos sete povos, decorada com colunas e esculturas. É considerada a mais formosa redução e um exemplo significativo do barroco missioneiro, foi construída em uma colina para evitar aguas fluviais (OLIVEIRA, 2004, p.161-2).

Esculturas
            A escultura missioneira tinha uma dupla função, a primeira seria abastecer os templos com imagens de santos e sua segunda função seria pedagógica. Como não havia a opção da leitura a imagem buscava substituir. Por esse motivo não houve comércio dessas estatuas embora houvesse relativamente constante fabricação, cada colégio possuía trabalhadores dedicados a esse serviço.
            Os trabalhadores tinham várias especialidades diferentes havia pintores, escultores, gravadores entre outros. Estes trabalhadores davam as características das obras que hoje vemos OLIVEIRA (2004 p. 174) cita algumas dessas características.
   – a maioria está talhada em madeira, em geral cedro;
   - em sua totalidade eram de policromia;
   - transmitem piedade;
   - vestuário geralmente Barroco;
   - algumas possuíam articulações (braços e cabeça);
   - Apresentam cavidade dorsal. 
A escolha do cedro para as esculturas dava-se por sua durabilidade se mantido em local seco e por ser macia ao corte podendo assim ser moldada, ou seja, a madeira perfeita para ser usada para a fabricação de esculturas, mas o cedro também tinha outras utilidades que eram utilizadas pelos jesuítas, como por exemplo, a extração de sangue coagulado de seus galhos e lascas, a resina servia para a elaboração dos vernizes, suas frutas usadas na produção de sabão. 
Sobre a cavidade dorsal existem várias hipóteses sobre o motivo de ter esse oco na escultura à primeira seria de ordem física para evitar que a madeira quebra-se no momento que estava sendo moldada ou rachasse após de pronta. A segunda seria em favor da evangelização os jesuítas se colocariam dentro para falar com o índio através do santo.
A terceira é mais aceita, de ordem econômica que diz que serviriam para guardar coisa de valor como ouro e pedras preciosas por exemplo sem levantar muitas suspeitas, podendo assim ser transportadas por longas distancias o que inclui oceanos. A quarta seria de ordem folclórica seria profanação por parte de caçadores de tesouros.
Um dos pontos debatidos são quanto a originalidade e criatividade dessas esculturas, os jesuítas afirmavam que o índio tinha capacidade imitativa, mas esse argumento poderia estar fundamentado na ideia de superioridade europeia.  Também a capacidade artística está sendo avaliada pelos padrões europeus, não de uma arte indígena.

Um exemplo é a escultura de Nossa Senhora de Conceição (Figura 1) uma relíquia do barroco, mas podemos notar em sua face e cabelos que ela foi esculpida com características de mulher índia.
Figura 1: Nossa Senhora de Conceição, Igreja de São Borja. 
As esculturas a baixo são esculturas que estão localizadas no Museu Júlio de Castilhos onde pode-se ver te perto estas relíquias do barroco missioneiro, algumas com características mistas um pouco europeias e outro do espirito guarani.
São obras de artes que fazem partes da história do Brasil é que nos explicam de forma muito bela a história e a verdadeira maestria do povo indígena para a arte, além de nos deixar relíquias que nos servem para reviver e avaliar a história desta época.
Figura 2: Anjo, Museu Júlio de Castilhos.
Figura 3: São Francisco Xavier, Museu Júlio de Castilhos.
Vorlei L. Martins
Graduando em História na Universidade Luterana do Brasil - Campus Canoas

Bibliografia:
OLIVEIRA, M. O. Identidade e Interculturalidade: História e Arte Guarani. Santa Maria: UFSM, 2004, p. 261.
IPHAN, São Miguel das Missões (pdf).

quinta-feira, 3 de julho de 2014

MADAGASCAR: UM RESUMO DA HISTÓRIA DO PAÍS

           

              Este artigo se propõe a apresentar de forma sintética a história de Madagascar e alguns aspectos relevantes de sua geografia e sua biodiversidade; além de fazer uma contextualização de um período, no qual a França, por várias décadas, dominou a Ilha.
             Madagascar é uma IIha que se localiza no oceano Índico, próximo ao Continente Africano. O que separa o país do continente é o canal de Moçambique; a ilha também fica próximo às ilhas Mauricio.
             Os primeiros habitantes de Madagascar vieram da África e da Indonésia há cerca de dois mil anos, mas apenas em 900 A.C que mercadores africanos começaram a usar a costa norte para seus negócios. Os europeus chegaram à ilha com o capitão Diogo Dias que servia a Portugal, isso ocorreu porque este se enganou imaginou que estava chegando na Índia, o capital batizou a ilha de St. Lawrence.
            Nos anos que se seguiram, portugueses, franceses, ingleses, holandeses tentaram em vão estabelecer pontos comerciais na ilha; o motivo das falhas, foram os conflitos com os guerreiros Malagasy esses nativos contavam com o conhecimento geográfico da ilha que para os europeus parecia muito hostil.
            No final do século XVII, os piratas conseguiram, após varias investidas, entrar em Madagascar, e usavam esse ponto estratégico, para atacar navios que iam para a Europa, levando mercadoria da Índia.
No século XVIII, os franceses tentaram estabelecer pontos comerciais na costa leste sem sucesso. Do outro lado da Ilha, formava-se o primeiro reino de Madagascar: o Reino de Merina que dominava quase toda a ilha. Em 1810, o rei Radama I abriu as portas da Ilha para os britânicos e permitiu que missionários cristãos evangelizassem o lugar e estabelecessem pontos comerciais.


Após a morte de Radama, sua esposa assumiu o governo; reinou durante 33 anos, exercendo uma política de opressão, perseguindo cristãos e eliminando rivais políticos. Ela restaurou a tradição de sacrificar crianças nascidas em dias de má sorte e cortou relações com os ingleses.  Com a sua morte, Madagascar reabriu as relações com os europeus.
A França invadiu o lugar no ano de 1833. Em menos de 15 anos, o controle Francês na Ilha era total, e Madagascar se tornou colônia francesa. A principal utilidade que a França via para Madagascar era a extração das reservas naturais sem nem um tipo de investimento. Os principais produtos extraídos da iIha eram madeira e baunilha. A população da Ilha tentou se rebelar duas vezes do domínio Francês, em 1918 e 1947, mas a independência veio apenas, em 1960, mais, especificamente, em 26 de junho.
Essa luta de Madagascar por sua independência mostrou claramente o processo geopolítico que ocorria entre os dois países: Madagascar buscava se libertar do domínio da França e, por outro lado, este país lutava por manter seu domínio na IIha.
O resultado dessa disputa interferiu na geografia política da França que com a perda de sua colônia, além da perder do território, perdeu uma região rica em recursos naturais e biodiversidade.
Após a independência o país estava sob o comando do presidente Philibert Tsiranana que manteve um regime parlamentarista. Em 1972, sob a liderança militar do general Ramamantsoa, instalou-se um governo militar que, um ano depois, exigiu a saída das tropas francesas do país.
Em 1975, outro ditador entrou em cena: Didier Ratsiraka assumiu o poder, onde instalou um governo com orientação socialista. Em 1982, o país recorreu ao FMI, devido a uma crise econômica, deixando assim a ideologia socialista. Seu governo durou até ano de 1991, sendo deposto graças a outra crise econômica que assolou o país.
Em 1992, assumiu a presidência democraticamente Albert Zafy, governando sem agitações sociais de grande relevância.
Didier Ratsiraka retornou ao poder em 1997. Eleito democraticamente, governou até o ano de 2001, quando perdeu a eleição para Marc Ravalomanana que se elegeu com a promessa de democratizar ainda mais o país.  Embora derrotado democraticamente, Didier Ratsiraka não aceitou o resultado.
 Naquele momento, eclodiu em todo o país conflitos entre os apoiadores dos candidatos. No mesmo ano houve a recontagem dos votos que confirmou novamente a vitória a Marc Ravalomanana. Didier Ratsiraka não aceitou a vitoria do adversário, exilando-se na França, Em 2003, mesmo exilado foi condenado a 10 anos de serviços forçados, devido ao mau uso da verba pública no tempo que governou o país.
Em 2006, ocorreram eleições democráticas, e Marc Ravalomanana foi reeleito. Em Abril do mesmo ano, são feitas mudanças na constituição, dando mais poder ao presidente.
Em 2009, o presidente aceitou arrendar 50% da área cultivável do país para uma empresa sul-coreano que acarretaria a expulsão dos camponeses dessas áreas.  Isto gerou uma onda de protestos em todo o país, e os militares cercaram o palácio do presidente na capital Antananarivo. Mesmo não estando presente o presidente Marc Ravalomanana, aceitou sua deposição. O poder passou para uma Junta Militar que nomeou o prefeito da capital, como presidente do governo provisório.
Em 2010, foi aprovada a constituição que permitiu que o presidente ficasse por tempo indeterminado no poder, desde que fosse reeleito por via democrática por 5 anos.
Mesmo com todas essas reviravoltas políticas Madagascar é membro da ONU e da União africana e da SADC (Comunidade para o desenvolvimento da África Austral).
A economia se baseia principalmente na agricultura, mineração e pesca. O produto mais conhecido é a baunilha que é usada no mundo inteiro para dar sabor aos alimentos, sendo que os grãos de baunilha levam pelo menos dois anos para crescer, tornando a baunilha um produto ainda mais caro.
Apesar do alto preço do produto, o povo Malagasy ganha extremamente pouco: cerca de um dólar por dia, Isso é outro fator que leva a 70% da população estar abaixo da linha da pobreza e metade das crianças até 5 anos sofrerem de desnutrição, sendo a corrupção do governo de Didier Ratsiraka, naquele período, a causa principal dessas mazela
Em 2005, foi descoberto petróleo que fará parte da futura economia da Ilha, aliado a uma nova forma de sustentabilidade, denominada de Ecoturismo, visando a minimizar os impactos ambientais.

O motivo do investimento no ecoturismo reside no fato de que a Ilha tem um dos maiores índices de biodiversidade do planeta. Na Ilha existem aproximadamente 200,000 espécies conhecidas, dentre estas 150,000 são endêmicas, contando 50 tipos de lêmures, como Aye-aye, Indri, Verreaux's Sifaka, Lémure de rabo Ring-tailed  e Lémure rato.
 Ocorrem no local mais de 400 espécies de sapos, sendo que 99% deles são endêmicas. Outra curiosidade é que os sapos são os únicos anfíbios da Ilha, a exemplo do Sapo Tomate e Sapo Mantella.
Embora sendo um país de muitas florestas, Madagascar sofre com alguns problemas ambientais relativos ao desmatamento e à destruição de habitats naturais; além da presença constante de. queimadas, degradação do solo e exploração descontrolada de seus recursos ecológicos. Ainda que estejam presentes estes fatores negativos quanto à sua preservação, Madagascar possui uma das maiores biodiversidade do mundo, despertando a atenção dos ecologistas para que se efetivem medidas que visem a preservar este espaço:  verdadeiro patrimônio natural da humanidade!


Vorlei L. Martins
Graduando em História na Universidade Luterana do Brasil - Campus Canoas

Revisão:
Carlos Roberto da Costa Leite
Funcionário e Pesquisador do Museu da Comunicação Hipólito José da Costa

Referências:

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

CELEBRAMOS O NATAL



O Natal é uma data em que comemoramos o nascimento de Jesus Cristo. Na antiguidade, o Natal era comemorado em várias datas diferentes, pois não se sabia com exatidão a data do nascimento de Jesus. Foi somente no século IV que o 25 de dezembro foi estabelecido como data oficial de comemoração. Na Roma Antiga, o 25 de dezembro era a data em que os romanos comemoravam o início do inverno. Portanto, acredita-se que haja uma relação deste fato com a oficialização da comemoração do Natal.

As antigas comemorações de Natal costumavam durar até 12 dias, pois este foi o tempo que levou para os três Reis Magos chegarem até a cidade de Belém e entregarem os presentes (ouro, mirra e incenso) ao menino Jesus. Atualmente, as pessoas costumam montar as árvores e outras decorações natalinas no começo de dezembro e desmontá-las até 12 dias após o Natal.

Do ponto de vista cronológico, o Natal é uma data de grande importância para o Ocidente, pois marca o ano 1 da nossa História.


A Árvore de Natal e o Presépio

Em quase todos os países do mundo, as pessoas montam árvores de Natal para decorar casas e outros ambientes. Em conjunto com as decorações natalinas, as árvores proporcionam um clima especial neste período.

Acredita-se que esta tradição começou em 1530, na Alemanha, com Martinho Lutero. Certa noite, enquanto caminhava pela floresta, Lutero ficou impressionado com a beleza dos pinheiros cobertos de neve. As estrelas do céu ajudaram a compor a imagem que Lutero reproduziu com galhos de árvore em sua casa. Além das estrelas, algodão e outros enfeites, ele utilizou velas acesas para mostrar aos seus familiares a bela cena que havia presenciado na floresta.

Esta tradição foi trazida para o continente americano por alguns alemães, que vieram morar na América durante o período colonial. No Brasil, país de maioria cristã, as árvores de Natal estão presentes em diversos lugares, pois, além de decorar, simbolizam alegria, paz e esperança.

presépio também representa uma importante decoração natalina. Ele mostra o cenário do nascimento de Jesus, ou seja, uma manjedoura, os animais, os reis Magos e os pais do menino. Esta tradição de montar presépios teve início com São Francisco de Assis, no século XIII. As músicas de Natal também fazem parte desta linda festa.



O Papai Noel

Estudiosos afirmam que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.

Foi transformado em santo (São Nicolau) pela Igreja Católica, após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.

A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos, ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.
 
Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Curiosidade: o nome do Papai Noel em outros países


- Alemanha (Weihnachtsmann, O "Homem do Natal"), Argentina, Espanha, Colômbia, Paraguai e Uruguai (Papá Noel), Chile (Viejito Pascuero), Dinamarca (Julemanden), França (Père Noël), Itália (Babbo Natale), México (Santa Claus), Holanda (Kerstman, "Homem do Natal), POrtugal (Pai Natal), Inglaterra (Father Christmas), Suécia (Jultomte), Estados Unidos (Santa Claus), Rússia (Ded Moroz).

Por Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando em bacharel em História
Universidade Luterana do Brasil - campus Canoas/RS

Fonte: 
Site Sua Pesquisa, acessado pelo link http://www.suapesquisa.com/historiadonatal.htm

terça-feira, 19 de novembro de 2013

A CONSCIÊNCIA QUE DEVEMOS TER DA HISTÓRIA

    

   O dia 20 de novembro representa todo um povo que lutou realmente por um verdadeiro grito de liberdade, não uma falsa liberdade, mas aquela que lhes dessem direito de ir e vir sem precisarem se preocupar com algum capitão-do-mato lhes perseguindo ou algum senhor de fazenda tentando lhes acertar com algum chicote.

    Com a desculpa que os povos nativos que viviam no Brasil eram comunidades de “vagabundos”, que na verdade eram guerreiros e guerreiras que não queriam deixar sua gente ser dominada pelos portugueses, a Coroa Portuguesa importam negras e negras da África, vendidas e traficadas de forma desumana para servirem de escravos (as) em terras tupiniquins. Com certeza estes e estas não aceitariam facilmente tal tratamento, mas por ano o medo e a dor de violência física e verbal oprimiu este povo que em galpões se uniram como uma comunidade que cultuava suas crenças e suas culturas. Lembrando que por serem negros não havia apenas uma religião, mas havia algumas religiões entre eles (as).
    Vendo seu povo sofrendo nas mãos dos portugueses, muitos começaram a trazer para seus momentos de descanso, que era apenas durante a noite após os serviços, a Capoeira. Para aperfeiçoar de forma discreta, alguns diziam que era uma dança e outros diziam que era um jogo, quando na verdade se aperfeiçoavam nessa modalidade de luta que lhes davam vantagem nas fugas. Entre estes grupos surgiram muitas lideranças, dentre eles o tão conhecido Zumbi.

   Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas no ano de 1655. Foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos das fazendas. O Quilombo dos Palmares estava localizado na região da Serra da Barriga, que, atualmente, faz parte do município de União dos Palmares (Alagoas). 

 Na época em que Zumbi era líder, o Quilombo dos Palmares alcançou uma população de aproximadamente trinta mil habitantes. Nos quilombos, os negros viviam livres, de acordo com sua cultura, produzindo tudo o que precisavam para viver.

   Embora tenha nascido livre, foi capturado quando tinha por volta de sete anos de idade. Entregue a um padre católico, recebeu o batismo e ganhou o nome de Francisco. Aprendeu a língua portuguesa e a religião católica, chegando a ajudar o padre na celebração da missa. Porém, aos 15 anos de idade, voltou para viver no quilombo.

   No ano de 1675, o quilombo é atacado por soldados portugueses. Zumbi ajuda na defesa e destaca-se como um grande guerreiro. Após uma batalha sangrenta, os soldados portugueses são obrigados a retirar-se para a cidade de Recife. Três anos após, o governador da província de Pernambuco aproxima-se do líder Ganga Zumba para tentar um acordo, Zumbi coloca-se contra o acordo, pois não admitia a liberdade dos quilombolas, enquanto os negros das fazendas continuariam aprisionados.

   Em 1680, com 25 anos de idade, Zumbi torna-se líder do quilombo dos Palmares, comandando a resistência contra as topas do governo. Durante seu “governo” a comunidade cresce e se fortalece, obtendo várias vitórias contra os soldados portugueses. O líder Zumbi mostra grande habilidade no planejamento e organização do quilombo, além de coragem e conhecimentos militares.

   O bandeirante Domingos Jorge Velho organiza, no ano de 1694, um grande ataque ao Quilombo dos Palmares. Após uma intensa batalha, Macaco, a sede do quilombo, é totalmente destruída. Ferido, Zumbi consegue fugir, porém é traído por um antigo companheiro e entregue as tropas do bandeirante. Aos 40 anos de idade, foi degolado em 20 de novembro de 1695.


Importância de Zumbi para a História do Brasil 

  
  Zumbi é considerado um dos grandes líderes de nossa história. Símbolo da resistência e luta contra a escravidão, lutou pela liberdade de culto, religião e pratica da cultura africana no Brasil Colonial. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.  
Zumbi dos Palmares


Importância do Dia da Consciência Negra
    A criação desta data foi importante, pois serve como um momento de conscientização e reflexão sobre a importância da cultura e do povo africano na formação da cultura nacional. 

   Os negros africanos colaboraram muito, durante nossa história, nos aspectos políticos, sociais, gastronômicos e religiosos de nosso país. É um dia que devemos comemorar nas escolas, nos espaços culturais e em outros locais, valorizando a cultura afro-brasileira. 

   A abolição da escravatura, de forma oficial, só veio em 1888. Porém, os negros sempre resistiram e lutaram contra a opressão e as injustiças advindas da escravidão. 

  Vale dizer também que sempre ocorreu uma valorização dos personagens históricos de cor branca. Como se a história do Brasil tivesse sido construída somente pelos europeus e seus descendentes. Imperadores, navegadores, bandeirantes, líderes militares entre outros foram sempre considerados heróis nacionais. Agora temos a valorização de um líder negro em nossa história e, esperamos, que em breve outros personagens históricos de origem africana sejam valorizados por nosso povo e por nossa história. Passos importantes estão sendo tomados neste sentido, pois nas escolas brasileiras já é obrigatória a inclusão de disciplinas e conteúdos que visam estudar a história da África e a cultura afro-brasileira.



Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando em História na Universidade Luterana do Brasil

Fonte:
Sua Pesquisa.com, site acessado no dia 20 de novembro de 2013, às 00:25 hs, pelo link http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/zumbi_dos_palmares.htm

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

PELO QUE VALE A PENA CELEBRAR




  No Rio Grande do Sul o 20 de setembro é feriado estadual, pois é celebrada a Revolução Farroupilha, uma revolta iniciada pela classe burguesa de estancieiros que eram contra os altos impostos que o Império havia colocado sobre o charque e o couro, produtos comercializados pelos mesmos. Com ideais de liberdade e respeito, o general Bento Gonçalves reúne um grupo de militares, também donos de grandes fazendas que produziam esta carne para comercializar pelo Brasil, dentre eles general Neto, coronel Onofre Pires, coronel Lucas de Oliveira, deputado Vicente da Fontoura, general Davi Canabarro, coronel Corte Real, coronel Teixeira Nunes, coronel Domingos de Almeida, coronel Domingos Crescêncio de Carvalho, general José Mariano de Mattos, general Gomes Jardim. Não esquecendo também de Bento Manuel Ribeiro, este que lutou em ambos os lados ao longo da guerra, mas quando acabou a “revolução” ele estava ao lado do imperador.  Muitos comemoram a grandiosidade desta batalha e a coragem que estes homens tiveram de enfrentar o Exército imperial, mas esta foi uma batalha perdida.
  Com poucos homens preparados para o combate armado, pois o contingente militar era pouco, incorporaram a suas tropas seus filhos, empregados e os negros escravos lhes prometendo uma tal de carta de alforria quando a “guerra” acabasse. Detalhe: o Brasil continuava sendo um país escravista. Também contaram com a inspiração ideológica de italianos da Carbonária refugiados, como o cientista e tenente Tito Lívio Zambeccari e o jornalista Luigi Rossetti, além do capitão Giuseppe Garibaldi, que embora não pertencesse a carbonária, esteve envolvido em movimentos republicanos na Itália.

Os verdadeiros lutadores pela liberdade
  Mas se devemos realmente comemorar a Revolução Farroupilha que não seja pela memória destes elitistas tão reconhecidos como figuras heroicas, mas sim pelos verdadeiros heróis que lutaram por seus ideais de liberdade: os Lanceiros Negros.
  Lanceiros Negros é o nome dado a dois corpos de lanceiros constituídos, basicamente, de negros livres ou de libertos pela República Rio-Grandense que lutaram na Revolução Farroupilha. Possuíam 08 companhias de 51 homens cada, totalizando 426 lanceiros.
 Tornou-se célebre o 1.º Corpo de Lanceiros Negros, organizado e instruído, inicialmente, pelo Coronel Joaquim Pedro, antigo capitão do Exército Imperial, que participara da Guerra Peninsular e se destacara nas guerras platinas. Ajudou, nesta tarefa, o Major Joaquim Teixeira Nunes, veterano e com ação destacada na Guerra Cisplatina.
  Estes negros escravos eram recrutados pelos generais com a promessa de receberem sua liberdade e de sua família, tendo então como ideologia real a luta pelo respeito de seu povo e a tão sonhada liberdade em relação aos demais envolvidos nesta guerra.
  Infelizmente estes homens corajosos não são reconhecidos como deveriam pela história e quando mencionados são de pouca visibilidade, mas foram de muita importância para a história regional, cultural e até religiosa do nosso estado. Muitos fatos ainda são omitidos, dentre eles o fato dos negros utilizarem de sua religiosidade para invocarem Ogum, orixá africanista da batalha, para lhes protegerem e lhes darem força a luta com o grito “Ogunhê”, e em relação ao cruel e covarde Massacre de Porongos, onde traídos pelo general David Canabarro tiveram suas armas retiradas e foram chacinados enquanto Canabarro estava longe dali. A burguesia coloca esta batalha como surpresa, que Canabarro e os Lanceiros haviam sido surpreendidos pela tropa do Império, o qual não concordo com tal versão e os movimentos quilombolas com o resgate de documentos pessoais de antepassados seus ou através da História Oral de seus familiares confirmam o massacre.
  Com reais ideais revolucionários, com a verdadeira luta pela liberdade e respeito de seu povo estes homens tiveram importante participação em nossa história e esta revolução não deveria estar sendo celebrada no dia 20 de setembro, mas sim no mês de novembro no período deste cruel massacre.

Jéferson Cristian Guterres de Carvalho
Graduando de bacharel em História pela Universidade Luterana do Brasil, campus Canoas.
Canoas, 20 de setembro de 2013.

Fontes:
Bond, Rossana. O Massacre de Porongos Faz 164 Anos. Site A Nova Democracia, Apoio a Imprensa Popular e Democrática. Acessado no dia 20 de setembro de 2013, às 11:30 hs, pelo link http://www.anovademocracia.com.br/no-48/1916-o-massacre-de-porongos-faz-164-anos.

Ferreira Hemerson. A Guerra dos Farrapos e seus Lanceiros Negros. Diário Liberdade, acessado no dia 20 de setembro de 2013, às 11:40 hs, pelo link http://www.diarioliberdade.org/brasil/antifascismo-e-anti-racismo/30880-a-guerra-dos-farrapos-e-seus-lanceiros-negros-tra%C3%ADdos.html.


Martins, Jonas. A Batalha de Porongos. O Recanto das Letras, site acessado no dia 20 de setembro de 2013, às 11:47 hs, pelo link http://www.recantodasletras.com.br/artigos/2908821.